Resgates em Fundos de Previdência: Avaliação sob a Ótica das Finanças Comportamentais

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23 de outubro de 2017

O objetivo do trabalho é identificar a influência de características de planos de previdência (e seguros de vida com cobertura por sobrevivência) no comportamento de resgate do investidor. O estudo relaciona os resgates de uma empresa de seguros com o canal de venda (empresarial ou individual), a modalidade (renda fixa ou composto) e a periodicidade de envio do extrato. Os resultados sugerem que quando o participante tem mais autonomia e é o único responsável pelo custeio do seu plano, a frequência de envio de extratos está diretamente relacionada com a sua decisão de resgate nos planos de modalidade composto. A explicação para este fenômeno pode ser encontrada em Benartzi e Thaler (1995), sob o conceito de aversão míope a perdas.

Programação

Painel 1 - Aplicações de Finanças Comportamentais em Previdência

É sabido que o sistema de previdência oficial público cada vez tem menos capacidade de oferecer benefícios compatíveis com o nível de vida levado por seus contribuintes. Por outro lado, gestores de planos de previdência (fundos de pensão, entidades de previdência e seguradores) têm se afastado cada vez mais dos planos da modalidade benefício definido (BD), colocando cada vez mais responsabilidade nos indivíduos em fazer ou planejar sua própria aposentadoria.
Neste sentido, um número cada vez maior de empregados e participantes está inscrito em planos de contribuição definida (CD), ou estabelecidos por seu empregador, ou comprados junto a uma seguradora ou entidade aberta. Planos de contribuição definida têm sido considerados em muitos lugares do mundo como geridos ou direcionados pelos participantes, ou seja, eles são vistos como agentes ativos e o empregador ou gestor do plano com um papel diminuído no processo de tomada de decisão de investimento.
Certamente, o plano (e seu desenho) não é um veículo neutro onde participantes fazem suas próprias escolhas racionais baseadas em expectativas racionais. Pelo contrário, as decisões de nível de contribuição e investimento são fortemente afetadas pelo desenho do sistema de aposentadoria e/ou plano de previdência. Participantes podem ser induzidos pelo desenho do plano, tanto com relação ao nível de contribuição quanto em relação às decisões de investimento (Yumeng, 2006).
Como uma forma de entender a dinâmica do mercado financeiro, o campo de finanças comportamentais pode ajudar bastante no desenho ou planejamento de planos de previdência. Já há uma quantidade de pesquisa com aplicação de estudos comportamentais nos mercados de capitais, mas pouco coisa foi feita em relação à estruturação de planos de previdência e implicações no campo de fundos de pensão e entidades de previdência. O painel pretende abordar algumas destas aplicações.


Painel 2 - Resgates em fundos de previdência: avaliação sob a ótica das finanças comportamentais

O objetivo do trabalho apresentado é identificar a influência de características de planos de previdência (e seguros de vida com cobertura por sobrevivência) no comportamento de resgate do investidor. O estudo relaciona os resgates de uma empresa de seguros com o canal de venda (empresarial ou individual), a modalidade (renda fixa ou composto) e a periodicidade de envio do extrato. Os resultados sugerem que quando o participante tem mais autonomia e é o único responsável pelo custeio do seu plano, a frequência de envio de extratos está diretamente relacionada com a sua decisão de resgate nos planos de modalidade composto. A explicação para este fenômeno pode ser encontrada em Benartzi e Thaler (1995), sob o conceito de aversão míope a perdas.


Palestrante

Eduardo Fraga de Lima Melo
Professor, Doutor no curso de Atuária pela UERJ, do Centro de Pesquisa e Economia do Seguro da Escola Nacional de Seguros (ENS) e em programas de pós-graduação como Mestrado e MBA. D.Sc. e M.Sc. em Finanças pela COPPEAD/UFRJ. Foi bolsista CAPES para estágio de doutorado na Cass Business School (City University) em Londres. Graduado Magna Cum Laude em Ciências Atuariais pela UFRJ. Autor e coordenador do livro: Solvência no mercado de Seguros e Previdência, 2012. Ed. Escola Nacional de Seguros (ENS), e do livro: Modelagem de Estrutura de Dependência por Cópulas para Gestão de Riscos, 2012. Ed. Escola Nacional de Seguros (ENS). Servidor da SUSEP.

Claudio Henrique Barbedo
É formado pela Escola Naval, Mestre e Doutor pela UFRJ – Coppead na área de Finanças. Atuou como professor de disciplinas de Finanças na FGV, PUC, IBMEC, COPPEAD, Funenseg e ANBIMA. Possui trabalhos publicados em revistas e trabalhos apresentados em vários congressos acadêmicos no Brasil e no exterior. É servidor do Banco Central. Autor dos livros Mercado de Derivativos no Brasil e Finanças Comportamentais.

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