Crise econômica pautou debates do 5º Encontro de Resseguro

Voltar
A+
A-

Por Coordenadoria de Comunicação Social   |   8 de Abril de 2016

Mais de 500 pessoas estiveram reunidas entre 5 e 6 de abril, em Copacabana, no Rio de Janeiro (RJ), debatendo questões estratégicas para os mercados de seguros e resseguro brasileiros, no 5º Encontro de Resseguro do Rio de Janeiro. O evento teve organização da Escola Nacional de Seguros, Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg) e Federação Nacional das Empresas de Resseguros (Fenaber).

A cerimônia de abertura contou com a participação do superintendente da Susep, Roberto Westenberger, e dos presidentes Robert Bittar (Escola Nacional de Seguros), Marcio Coriolano (CNseg), Paulo Pereira (Fenaber), Roberto Rocha Azevedo (Associação Brasileira das Empresas de Corretagem de Resseguro, Abecor-Re), João Francisco Borges da Costa (FenSeg), Solange Beatriz (FenaSaúde) e Marco Barros (FenaCap).

Paulo Pereira anunciou que a Fenaber está coordenando os trabalhos para criação do Polo Regional de Resseguro na capital fluminense e entre maio e junho próximos, será enviado o projeto para aprovação do Ministério da Fazenda. Segundo ele, a construção do Polo poderá fazer a indústria brasileira de resseguro dobrar de tamanho. “A ideia é atrair as empresas que já operam na América Latina, cujo mercado é de US$ 21 bilhões”, revelou.

Escola atenta às demandas de treinamento em resseguro

O presidente da Escola, Robert Bittar, ressaltou o aumento da procura por qualificação em resseguro. “Nossa instituição está muito atenta à grande demanda que precisamos atender, para acompanhar o potencial de crescimento que se vislumbra. O Programa de Treinamento em Londres, que oferecemos há cinco anos em parceria com o Chartered Insurance Institute, o CII, e trata dos processos técnicos do resseguro, registrou recorde de candidaturas neste ano e, por isso, precisamos adotar critérios de seleção mais rigorosos”, avaliou.

Para Marcio Coriolano, da CNseg, a complexidade da atual conjuntura impõe desafios para o mercado de seguros, mesmo ele tendo se mostrado o setor da economia mais resiliente diante da crise. “Nesse cenário, cresce a aversão ao risco, mas é também nesse momento de volatilidade que o setor mais pode contribuir para a recuperação da economia. Precisamos munir o brasileiro com informações sobre como proteger seu patrimônio, sua vida e sua saúde”, explicou.

O presidente da Confederação comprovou o poder de resistência/blindagem do setor ao apresentar o desempenho alcançado no último ano. “A despeito da crise em 2015, o volume de seguros cedido pelas seguradoras brasileiras foi de R$ 10,1 bilhões, um aumento de 12% em relação ao ano anterior. Mais de 60% desse valor foi colocado em resseguradoras locais”, informou, citando oportunidades de crescimento de alguns ramos ligados a infraestrutura.

O segundo e último dia de evento contou com participação do diretor do Centro de Pesquisa e Economia do Seguro (CPES), da Escola, Claudio Contador, que coordenou o painel “Panorama Econômico e Perspectivas”. A palestra coube ao repórter da GloboNews, Dony de Nuccio, e contou com comentários do vice-presidente Financeiro do IRB Brasil Re, Fernando Passos, sobre os reflexos da atual conjuntura sobre o mercado de seguros.

Seguros e resseguro aumentaram penetração junto à sociedade

“Vivemos um momento tumultuado, com novas informações e desinformações a cada instante. As perguntas que se fazem necessárias nesse painel são: o que podemos esperar para o Brasil nos próximos meses ou anos? O que deu errado? Como fica o mercado de seguros e resseguro em um cenário tão perverso e quais forças podem ser usadas para contornar esse impacto da macroeconomia?”, questionou Claudio Contador, antes de passar a palavra ao palestrante.

Segundo De Nuccio, o Brasil não experimentava dois anos consecutivos de PIB negativo desde 1930. “Para quem tem menos de 85 anos, é um cenário inédito”, avaliou. Apesar da retração da economia, o jornalista acredita que momentos de crise são estímulos para inovação, citando como exemplos o Airbnb e o Whatsapp, ambos criados em meio à crise de 2008, nos Estados Unidos, e que estão avaliados em US$ 25 bilhões e US$ 22 bilhões, respectivamente.

Já Fernando Passos explicou como o reajuste fiscal de 2014 impactou as empresas de seguros e resseguro brasileiras, com o aumento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) de 15% para 20%, e a tributação do PIS/COFINS sobre as receitas financeiras do setor. “Isso significa que o setor terá sua arrecadação de impostos elevada em mais de R$ 1 bilhão”, informou.

Segundo Passos, apesar do aumento da tributação, o resultado financeiro das seguradoras brasileiras aumentou 20% e das resseguradoras, 42%, em 2015. O desempenho foi atribuído à alta do dólar e da taxa de juros, e à robustez das empresas brasileiras. Além disso, o especialista acredita que os setores têm sido eficientes em aumentar a penetração junto à sociedade.

Veja aqui as fotos.

Outras Notícias