Evento debateu papel dos recursos humanos para o setor

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Por Coordenadoria de Comunicação Social   |   6 de Outubro de 2014

O futuro das relações de trabalho foi o tema da oitava edição do Encontro de RH do Mercado Segurador, promovido pela Escola, em parceria com a CNseg. O evento aconteceu no dia 25 de setembro, em São Paulo (SP), e buscou debater aspectos fundamentais e atuais das relações de emprego no Brasil e o papel dos recursos humanos nesse cenário.

A palestra de abertura coube a Eduardo Giannetti, PhD em Economia pela Universidade de Cambridge, que explicou as implicações da transição demográfica para o mercado de trabalho brasileiro. Segundo ele, o bônus demográfico observado no País deveria contribuir para o aumento da produtividade e geração de renda, mas na prática não é o que acontece.

“A população cresceu de modo intenso, em curto espaço de tempo, ao passo que a taxa de dependência, que inclui crianças e idosos, manteve-se muito baixa. É um momento único e especial para a economia brasileira, que não irá durar para sempre. O nosso desafio é nos preparar para o aumento da taxa de dependência, que será lento, mas inexorável”, alertou.

Segundo Giannetti, para aproveitar a fase positiva, o País deveria investir em capital físico (máquinas, equipamentos e estrutura) e humano (competências, habilidades, conhecimentos e capacidade de inovação), e na eficiência alocativa, direcionando os recursos produtivos para os setores de atividade que geram mais resultado.

“O Brasil não está avançando na formação de capital humano. No PISA, teste comparativo internacional que mede o aprendizado de jovens de 15 anos em três áreas de conhecimento, o Brasil vem ficando na 54ª posição, considerando-se ensino público e privado. Isso em um ranking de 57 países, o que não é uma posição confortável. No comparativo “leitura”, o Brasil fica na frente apenas da Indonésia”, exemplificou.

Em seguida, Roberto Ciccone, partner da IBM Brasil, responsável pelo segmento de Seguros, apresentou o Estudo Global de Executivos deste ano, fruto da análise de entrevistas realizadas com 4.183 líderes (presidentes, executivos de finanças, recursos humanos, suprimentos, tecnologia da informação e marketing) de 70 países e de 20 setores diferentes.

A pesquisa identificou, segundo Ciccone, que o sistema de recursos humanos não é considerado pela direção das empresas ao buscarem orientações estratégicas e é pouco integrado aos outros sistemas organizacionais. “A percepção é de que não há envolvimento da área com clientes e que as atividades desenvolvidas são meramente operacionais”.

As palestras da tarde couberam a especialistas do escritório Mattos Filho, Veiga Filho, Morrey Jr. e Quiroga Advogados, que se dedicaram a esclarecer os aspectos jurídicos das relações de trabalho, incluindo a remuneração variável dos executivos, o seguro D&O como parte do pacote de benefícios e as tendências trabalhistas.

A advogada Maria Isabel Bueno explicou que seus clientes têm encontrado dificuldade para atrair e reter talentos e uma das maneiras encontradas pelas empresas foi a oferta de stock options, planos de opções de compra de ações adotados pelas companhias. Entretanto, esses planos têm gerado dúvidas quanto à interpretação de sua natureza pela jurisprudência trabalhista, e também pelos aspectos tributários.

Bueno explicou que, em recentes autuações fiscais, as stock options foram consideradas como remuneração, exigindo contribuições previdenciárias e impondo multa por ausência de retenção do imposto de renda na fonte. Entretanto, mesmo não tendo uma interpretação unânime, na maioria dos casos, esses planos de ações são entendidos como contrato mercantil, em vez de ganhos remuneratórios.

Já a advogada Luciana Prado apresentou os conceitos do seguro D&O, voltado para executivos que ocupem funções diretivas, e defendeu que a administração da apólice seja feita pela área de recursos humanos, responsável pela contratação da apólice. Isso evitaria riscos de falhas na comunicação com outras áreas, que poderiam comprometer a cobertura.

O advogado Domingos Fortunato Netto concluiu as palestras abordando os principais desafios do mercado de seguros diante do que chamou de “anacronismo da legislação trabalhista”.  De acordo com o especialista, isso acaba gerando dúvidas e decisões equivocadas, principalmente com relação a horas extras, bonificações, reintegração de emprego e danos morais.

Esta edição do evento contou, pela primeira vez, com um mestre de cerimônias virtual. “O personagem se encarregou das apresentações, das perguntas, e trouxe um aspecto lúdico ao encontro, onde se tratou de temas tão sérios. Quando se discute o futuro das relações de trabalho, ele simbolizou um novo formato de atividade que deve ser considerado”, explicou Maria Helena Monteiro, diretora de Ensino Técnico da Escola.

Antes de encerrar o evento, a executiva anunciou o lançamento do ProfiSeguro, um banco de currículos criado pela Escola para facilitar o processo de recrutamento de profissionais do mercado de seguros. O serviço é oferecido gratuitamente pela Instituição e pode ser acessado por profissionais do setor que desejam cadastrar seus currículos aqui. Já os profissionais de RH que desejam consultar os currículos cadastrados, devem acessar esta área e cadastrar a senha de acesso.

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