Palestra destacou importância da atuária

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Por CVG-SP   |   23 de Agosto de 2013

A Escola Nacional de Seguros, realizou na última terça-feira, 20 de agosto, no auditório do Sindicato das Seguradoras de São Paulo (Sindseg-SP), o evento “Desmistificando a Atuária”, apresentado por Marcos Ribeiro Baretto Junior, atuário com 23 anos de experiência no mercado de seguros e sócio Oficina de Benefícios Consultoria e Projetos.

Baretto conceituou os atuários como “especialistas em analisar os impactos financeiros de eventos incertos e futuros”. O trabalho do atuário, segundo ele, é precificar esses impactos por meios de modelos matemáticos, que criam pactos entre o interesse segurável e o interesse financeiro. “Criamos modelos matemáticos para suportar os prejuízos futuros”, resumiu.

Atualmente, os atuários são os profissionais mais bem pagos nos Estados Unidos, segundo Baretto. No Brasil, o Instituto Brasileiro de Atuária (IBA) tem cadastrados 3 mil atuários, mas apenas mil estão ativos. O número é pequeno, mas ele acredita que o futuro da profissão é promissor porque na sociedade moderna a tendência é de aumento da necessidade de dimensionamento dos riscos. “É uma profissão imprescindível”, afirmou.

Ele também apresentou um histórico sobre a origem da profissão, que remonta ao Império Romano, quando foram realizados os primeiros acordos de assistência e pensão para cobrir sepultamentos. O então prefeito da cidade Domitius Ulpiames realizava os cálculos a partir dos dados de nascimento e morte da população.

Já no século 17, com os avanços matemáticos, a atuária passou a ser mais técnica. Edmond Halley (1656 a 1742), discípulo de Newton foi o primeiro a calcular prêmios para seguros de vida, definindo a matemática atuarial para sobrevivência e morte. O primeiro atuário registrado foi o americano Nathaniel Bowditch (1773 a 1838), que presidiu a seguradora Essex Fire and Marine Insurance Company e cuidava da atuária do Massachusetts Hospital Life Insurance Company (Boston).

No Brasil, a atuária é regulamentada Decretos-Lei 806/69 e 66.408/70. Na avaliação de Baretto, o IBA, que integra a entidade global Internacional Actuarial Association (IAA), tem fundamental papel junto aos profissionais da área, pois, reúne os atuários, promove palestras, esclarece dúvidas e funciona como canal de apoio.

Profissão fundamental

As muitas coberturas de seguros existentes e os riscos diversos tornam a profissão de atuário fundamental para o equilíbrio financeiro das seguradoras, segundo Baretto. Sob a ótica atuarial, ele elencou as condições que tornam o risco segurável: ser um risco possível, futuro e incerto; ser independente das vontades das partes, causador de prejuízo de natureza econômica e ser quantitativamente mensurável.

Para explicar como funciona o conceito de capitalização atuarial em seguro de vida, ele recorreu a um exemplo. “Vamos supor que mil pessoas, com alta exposição de risco, coloquem US$ 1 mil dentro de uma caixa, somando US$ 1 milhão. Todos concordam em abri-la 20 anos depois, dividindo o dinheiro entre os que estiverem presente. Passado esse tempo, restaram apenas 200 pessoas para abrir a caixa e cada qual recebeu US$ 5 mil. Isso se chama capitalização atuarial. É assim que fazemos os cálculos de seguros”.

Em seguida, Baretto dedicou parte de sua palestra às fórmulas atuárias, que comparou a partituras musicais. “Apesar de aparentemente complexas, depois de estudadas, tornam-se facilmente compreensíveis”, afirmou.

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